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“El, el, el sai que é sua Taffarel”

Março 14, 2011

 

El, el, el sai que é sua Taffarel

 

Poucos goleiros da história foram tão decisivos quanto Taffarel. Grande pegador de pênaltis, tem como grande feito em seu currículo o êxito na final da Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos da América, quando garantiu o tetracampeonato para a seleção brasileira.( o famoso sai que é sua Taffarel, narrado por Galvão Bueno, narrador da tv globo).Taffarel defendeu duas cobranças na decisão por pênaltis da semifinal contra a Holanda.

Taffarel jogou no Atlético Mineiro de Belo Horizonte de 1995 a 1998.
Me lembro bem do meu aniversário de 12 anos,minha casa toda decorada com as cores do Galo , pedi de presente o uniforme oficial do Taffarel. Era um orgulho para todo atleticano ter o Taffarel no time. Goleiro da seleção brasileira, e campeão do mundo.

Me lembro de grandes goleiros como Dida, Rogério Ceni, Veloso, Marcos … Mais o meu preferido sempre foi o Taffarel, por tudo que ele fez na seleção brasileira e no meu querido Atlético mineiro.

 

Carta de Despedida


Taffarel deixou o Atlético  uma carta de despedida que foi publicada no jornal Estado de Minas em 12 de julho de 1998:

“Mineiros,
Muitas vezes em entrevistas vocês me ouviram falar sobre o quanto eu estava bem em Belo Horizonte e o quanto foi importante para mim, minha carreira e minha família a acolhida que BH e todo o Estado de Minas Gerais me deram. A minha chegada, aquela emocionante e inesquecível recepção, os momentos felizes com um time de garra e coração como poucos, as tristezas que o futebol volta e meia traz, os altos e baixos foram divididos com muita dignidade.
A verdade é que estes três anos e meio que passei com vocês me fizeram sentir parte desse povo e a minha sensação foi retribuída quando, através da Medalha da Inconfidência, recebida das mãos do governador Eduardo Azeredo, senti a honra de fazer parte de uma terra tão importante na história do nosso País. No momento em que as coisas pareciam estar complicadas, foi Belo Horizonte, que por indicação do vereador Ronaldo Gontijo, me agraciou com o título de Cidadão Honorário.
Sabem, eu estava em casa. Tão em casa que meus companheiros de time, meus treinadores (quase todos), e os funcionários do Atlético eram pra mim como uma grande família.
Toda esta identificação teve um preço, e eu não pude, muitas vezes, cruzar os braços vendo tantas injustiças que aconteciam com esta gente a quem eu quero tão bem. Na Vila Olímpica, na concentração, no vestiário, no Mineirão, tantas vezes recebi meus filhos como se tudo aquilo fosse também um pouco meu.
Com quanta alegria eu ouvia a Massa Atleticana gritando: “El, el el, sai que é sua Taffarel!!!”. Me lembro de cada cidade do estado de Minas Gerais e da maneira como sempre me receberam com palmas, gritos de incentivo e até homenagens, mas, sobretudo, com carinho e respeito. Depois de um gol sem explicação, de uma briga ou outra situação ruim, nunca faltaram mensagens de otimismo por parte da torcida do Galo. Bastava abrir um jornal no dia seguinte e lá estava o atleticano me dando o maior crédito. E este é o tipo de coisa que marca a vida da gente.
Amizades verdadeiras não faltaram neste tempo em que estive com vocês, dentro do meu clube, todos, e fora dele, muitos. Tantas vezes recebi cumprimentos de cruzeirenses e americanos que, independentemente das cores, provaram com isto a esportividade que falta ao futebol hoje. Gostaria de citar o nome de todos os amigos, de todas as pessoas que me deram força, de todos os torcedores que gritavam meu nome, de todos. Mas escolhi um que representa bem o verdadeiro mineiro, o tipo de amigo, fã que todo jogador gostaria de ter e que eu tive: Gerson Sabino (ele deixou BH antes de mim).
Dentro da imprensa também fiz amigos que me ajudaram a esclarecer para muitos o que não era do interesse de poucos. E foi também esta imprensa que me elegeu para Troféu Guará, Kafunga e como uma das 100 personalidades esportivas nos 100 anos de Belo Horizonte.
Tudo isto e mais os títulos e quase títulos com o Galo, coroam estes quase quatro anos. Agradeço a Deus por tudo e pela oportunidade de ter vivido o que vivi porque no meu coração vou ter sempre a recordação calorosa e simples deste povo das Minas Gerais. Afinal, só mesmo se eu fosse uma criatura amarga poderia deixar que poucos momentos de tristeza causados por pessoas de espírito tão pobre, sobrepusessem as alegrias que vocês, meus amigos, me proporcionaram.
Se hoje estou deixando Belo Horizonte, não é por minha vontade, é porque relacionamentos profissionais como o que eu tenho com a diretoria do Atlético atingem limites e o limite foi atingido. O que eu quero dizer a vocês é que as diretorias passam, os jogadores chegam e vão embora, mas o Atlético Mineiro é uma instituição. Um clube de tradição, de força, de raça e com uma das maiores e melhores torcidas do Brasil. Por isso, mesmo sem TAFFAREL o grito do GALO vai continuar ecoando por todos os grandes estádios do país e onde quer que eu esteja, tenho certeza, vou ouví-lo.
Um forte abraço, Taffarel.”

 

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